A história até aqui
A segunda temporada terminou com revelações devastadoras e perdas irreparáveis. Descobrimos que as muralhas são compostas por Titãs Colossais adormecidos e que traidores estavam infiltrados nas fileiras da Divisão de Reconhecimento desde o primeiro dia. Durante o resgate de Eren, o protagonista manifestou o poder da Coordenada, uma habilidade capaz de controlar outros titãs, o que o transformou na peça mais valiosa — e perigosa — do tabuleiro militar e político de Paradis.
O que esta obra entrega
A primeira parte da terceira temporada de Attack on Titan adapta o aclamado Arco da Revolta (Uprising Arc). Se você esperava batalhas campais contra dezenas de titãs, prepare-se para uma quebra de expectativa magistral. A obra entrega intriga política, espionagem, tortura e dilemas éticos. É o momento em que a série amadurece, trocando o terror dos monstros pela crueldade humana, com destaque absoluto para o desenvolvimento de Historia Reiss e Levi Ackerman.
Análise de arcos e história
O Arco da Revolta exige mais atenção do espectador. A narrativa se afasta das linhas de frente para explorar os becos de Mitras e as cavernas subterrâneas do domínio Reiss. A introdução do Esquadrão de Controle Antipessoal, liderado pelo infame Kenny, o Estripador, traz uma dinâmica de combate inédita: humanos usando equipamentos de manobra modificados com armas de fogo contra espadas. Esse embate ideológico e físico entre Levi e Kenny é o motor que impulsiona a trama, enquanto Erwin Smith trava sua própria guerra fria nos tribunais e gabinetes da nobreza.
Produção e estúdio
O Wit Studio retorna com força total, sob a batuta do diretor-chefe Tetsurō Araki e do diretor Masashi Koizuka. A animação dos combates humanos é um espetáculo à parte, com coreografias fluidas e um uso dinâmico de câmera que se tornou a assinatura do estúdio. A trilha sonora de Hiroyuki Sawano continua impecável, mas a grande surpresa ficou por conta da abertura. A melancólica Red Swan, de Yoshiki com Hyde, substituiu os hinos marciais da Linked Horizon, refletindo perfeitamente o tom intimista e doloroso desta temporada. O encerramento Akatsuki no Requiem fecha os episódios com um ar de mistério e luto.
Curiosidades e bastidores
- Mudança de ritmo canônica: O autor Hajime Isayama pediu pessoalmente à equipe do anime que alterasse o ritmo do Arco da Revolta. Ele sentia que no mangá a narrativa havia ficado arrastada e viu no anime a chance de entregar a versão definitiva da história.
- A estreia de Red Swan: Foi a primeira vez que a banda Linked Horizon não interpretou a música de abertura de Attack on Titan, o que gerou um choque inicial na comunidade, mas logo foi abraçado pelo simbolismo da letra.
- Dublagem brasileira de peso: A versão brasileira, gravada no estúdio Dubrasil, consolidou vozes marcantes como Lucas Almeida (Eren), Bruno Sangregório (Levi), Mayara Stefane (Mikasa) e Guilherme Marques (Erwin), recebendo amplos elogios da comunidade.
- Inspiração faroeste: O design e o estilo de combate de Kenny Ackerman foram fortemente inspirados em filmes de faroeste, trazendo uma estética de pistoleiro implacável para o universo da obra.
Recepção e legado
A recepção da crítica foi esmagadoramente positiva, elogiando a coragem da série em mudar de gênero temporariamente. A comunidade abraçou o aprofundamento da mitologia e a humanização de personagens que antes pareciam apenas soldados estoicos. A qualidade técnica das cenas de ação de Levi contra o esquadrão de Kenny frequentemente figura nas listas de melhores sequências de animação da década, cimentando o status do Wit Studio como uma potência da indústria.