O que esta obra entrega
Porco Rosso destaca-se no catálogo de seu estúdio por ser uma obra protagonizada por um adulto cínico e desiludido, voltada para um público mais maduro. O filme entrega uma aventura clássica onde a capa e espada dão lugar aos óculos de aviador e metralhadoras, equilibrando perfeitamente o humor pastelão dos piratas do ar com momentos de profunda reflexão sobre a guerra. É uma história sobre encontrar um motivo para continuar voando quando o mundo ao redor parece ter enlouquecido, embalada pelo romantismo da era de ouro dos hidroaviões.
Produção e estúdio
Produzido pelo lendário Studio Ghibli e com direção e roteiro do mestre Hayao Miyazaki, o longa é um espetáculo técnico de 1992. A animação tradicional brilha nas sequências de voo, capturando a física e a emoção das batalhas aéreas com um nível de detalhe impressionante. A trilha sonora, composta pelo inseparável colaborador Joe Hisaishi, adiciona uma camada de nostalgia e melancolia, com influências de jazz e música europeia da década de 1920. O elenco de vozes originais japonesas conta com Shuuichirou Moriyama entregando uma performance icônica e rústica como Porco, além de Tokiko Kato como Gina e Akemi Okamura como Fio.
Curiosidades e bastidores
Origem inusitada: O projeto nasceu inicialmente como um curta-metragem de 30 a 45 minutos para ser exibido nos voos da Japan Airlines, com o objetivo de entreter executivos cansados. Com o início da Guerra da Iugoslávia, Miyazaki alterou o tom da obra, transformando-a em um longa-metragem mais complexo.
A frase icônica: A fala Prefiro ser um porco a ser um fascista tornou-se uma das citações mais famosas da história das animações, refletindo a forte postura política do protagonista e do próprio diretor.
Homenagem no nome: O nome verdadeiro do protagonista, Marco Pagot, é um tributo direto a um animador italiano de mesmo nome, que era amigo pessoal de Miyazaki e com quem ele trabalhou na série Sherlock Hound.
Inspiração real: O belo e isolado esconderijo de Porco Rosso foi inspirado na Praia de Stiniva, localizada na ilha de Vis, na Croácia.
Dublagem e música: Tokiko Kato, a dubladora original da personagem Gina, é uma cantora famosa no Japão e foi a responsável por interpretar a música tema do filme, marcando a primeira vez que um membro do elenco principal cantou a música de encerramento em um filme do estúdio.
Recepção e legado
Apesar de seu tom mais adulto e político, Kurenai no Buta foi um sucesso estrondoso, tornando-se a maior bilheteria do Japão no ano de seu lançamento (1992). A obra conquistou o prêmio de Melhor Filme de Animação no Mainichi Film Concours e, ao longo das décadas, solidificou-se como um clássico cult e uma das obras mais pessoais de Hayao Miyazaki. A crítica internacional frequentemente elogia o filme por sua maturidade temática e pelas sequências aéreas de tirar o fôlego, sendo considerado por muitos como uma obra-prima subestimada no Ocidente.
Perguntas Frequentes
Onde assistir Porco Rosso?
No Brasil, o filme está disponível no catálogo da Netflix, que detém os direitos de streaming de grande parte da biblioteca do Studio Ghibli. A obra também recebeu lançamentos físicos em DVD e Blu-ray no país por distribuidoras especializadas, contando com dublagem em português.
Por que o protagonista de Porco Rosso virou um porco?
A maldição não é explicada com magia tradicional, mas sim como uma manifestação física da desilusão de Marco Pagot com a humanidade. Após testemunhar os horrores da Primeira Guerra Mundial e perder seus companheiros, a culpa do sobrevivente e o nojo pelas atitudes humanas o fizeram abandonar sua humanidade e assumir a forma de um porco.
Porco Rosso tem continuação?
Não. Embora Hayao Miyazaki tenha mencionado em 2011 que tinha ideias para uma sequência chamada Porco Rosso: The Last Sortie, que se passaria durante a Guerra Civil Espanhola, o projeto nunca saiu do papel e o estúdio confirmou posteriormente que não há planos para produzi-lo.
Vale mais a pena assistir Porco Rosso ou ler o mangá?
Vale muito mais a pena assistir ao filme. A animação é baseada em um mangá curto de apenas 15 páginas desenhado pelo próprio Miyazaki, chamado Hikoutei Jidai (A Era dos Hidroaviões). O filme expande imensamente a história, os personagens e os temas, sendo a versão definitiva e completa da obra.