A primeira temporada de So I'm a Spider, So What? adapta os cinco primeiros volumes da light novel original escrita por Okina Baba. A obra se destaca no subgênero de reencarnação ao adotar uma estrutura narrativa de dupla perspectiva. De um lado, acompanhamos a sobrevivência claustrofóbica e puramente mecânica da protagonista no Grande Labirinto de Elroe; de outro, vemos o desenvolvimento de Schlain Zagan Analeit, o Shun, e outros reencarnados que vivem uma clássica jornada de fantasia medieval. Essa dualidade cria um contraste fascinante entre a comédia de sobrevivência e a intriga política de alta fantasia.
Análise de arcos e história
O enredo se divide essencialmente em dois grandes eixos que correm em paralelo, mas com uma sutil diferença cronológica que serve como motor para os principais mistérios da trama. O arco do labirinto foca no instinto de sobrevivência e na evolução constante da pequena aranha, carinhosamente chamada pela comunidade de Kumoko. Cada batalha contra sapos venenosos, macacos gigantes e dragões terrestres funciona como um quebra-cabeça tático, onde a protagonista precisa gerenciar seus pontos de experiência, adquirir novas habilidades e evoluir fisicamente para não ser devorada.
Em contrapartida, o arco dos humanos explora o peso das expectativas e a corrupção do poder. Shun e seus aliados lidam com conspirações monárquicas, rivalidades escolares que se transformaram em rixas de vida ou morte e a iminência de uma guerra total contra o exército dos demônios. O roteiro amarra essas duas frentes de forma inteligente, revelando aos poucos como as ações solitárias da aranha no passado moldaram diretamente o cenário geopolítico caótico que os humanos enfrentam no presente.
Produção e estúdio
A animação de So I'm a Spider, So What? ficou a cargo do estúdio Millepensee, sob a direção de Shin Itagaki. A produção enfrentou desafios técnicos notáveis, especialmente na transição entre a animação tradicional em 2D para os núcleos humanos e o uso intensivo de CGI em 3D para as criaturas e batalhas no labirinto. Embora a computação gráfica tenha dividido opiniões, ela permitiu coreografias de combate dinâmicas e ágeis para a protagonista aracnídea.
O grande destaque técnico da obra reside em sua sonoplastia e dublagem. No Japão, a seiyuu Aoi Yūki entrega uma performance lendária, ditando monólogos em altíssima velocidade e interpretando os temas de encerramento de forma caótica e brilhante. Na versão brasileira, realizada pelo estúdio Som de Vera Cruz sob a direção de Erick Bougleux, a dubladora Pamella Rodrigues assume o papel da protagonista com igual carisma e energia, acompanhada por Renan Takenouchi como Shun, Rodrigo Antas como Hugo, Flávia Saddy como Ariel e Gabriela Medeiros como a enigmática Administradora D.
Curiosidades e bastidores
- Participação do autor: O criador da light novel, Okina Baba, trabalhou diretamente na composição e na escrita do roteiro do anime, garantindo que as complexas revelações temporais fossem preservadas de forma coesa.
- Desgaste vocal: A dubladora japonesa Aoi Yūki revelou em entrevistas que interpretar a protagonista foi um dos trabalhos mais exaustivos de sua carreira, exigindo técnicas severas de controle de respiração e oxigenação devido ao ritmo frenético de suas falas.
- Problemas de produção: A reta final do anime sofreu com atrasos e terceirizações problemáticas na animação 2D. Isso resultou no adiamento do episódio 24 por uma semana e em uma visível queda de qualidade nas cenas de batalha dos episódios 21 e 22.
- Diferença temporal: Um dos maiores atrativos da trama é a revelação implícita de que a jornada da aranha no labirinto acontece cerca de 15 anos antes dos eventos vivenciados pelos reencarnados humanos, justificando a diferença de maturidade e poder entre os núcleos.