The Twelve Kingdoms (Juuni Kokuki) é um marco na fantasia épica e no subgênero de transporte para outro mundo, entregando uma das construções de cenário mais ricas e detalhadas da animação japonesa. Longe de ser uma aventura escapista leve, a obra mergulha em questões complexas de governança, moralidade, o peso do destino e a psicologia humana diante do sofrimento e da rejeição.
Análise de arcos e história
A narrativa é estruturada em arcos que exploram diferentes perspectivas e reinos. O primeiro arco foca na sobrevivência inicial e no amadurecimento doloroso da protagonista, que precisa aprender a discernir aliados de traidores em um ambiente onde a compaixão é uma fraqueza mortal. A transição de uma estudante submissa para uma figura de autoridade é construída de forma lenta, realista e extremamente recompensadora para o espectador.
Outro segmento de destaque expande a mitologia ao focar na história de um jovem Kirin que luta para compreender sua própria natureza sagrada e a responsabilidade de escolher um imperador. Posteriormente, a trama entrelaça o destino de três jovens de origens completamente distintas, abordando a inveja, o ressentimento e a busca por redenção em meio a uma iminente rebelião popular contra a tirania.
Produção e estúdio
Produzido pelo renomado Studio Pierrot e dirigido por Tsuneo Kobayashi, o anime de 2002 apresenta uma direção de arte soberba que evoca a estética da China imperial clássica. A trilha sonora, composta por Kunihiko Ryo, é uma obra-prima à parte, misturando instrumentos tradicionais asiáticos com arranjos orquestrais modernos para criar uma atmosfera mística e melancólica. A abertura instrumental, intitulada "Juuni Genmukyoku", permanece como um dos temas mais memoráveis da época.
No Brasil, a exibição pelo extinto canal Animax marcou época, contando com uma dublagem de alta qualidade realizada pelo estúdio Álamo. O elenco nacional trouxe vozes consagradas como Márcia Regina no papel da protagonista, Fábio de Castro como Keiki, Dado Monteiro como Rakushun e Adriana Pissardini como Yuka Sugimoto, entregando interpretações que respeitam a carga dramática e a solenidade dos diálogos originais.
Curiosidades e bastidores
- Origem literária: Ao contrário da maioria das animações de fantasia baseadas em mangás, a obra adapta a aclamada série de romances (light novels) escrita por Fuyumi Ono, iniciada em 1992.
- Mitologia densa: O sistema político e teológico do universo foi fortemente inspirado na mitologia chinesa clássica, especialmente no confucionismo e na burocracia da Dinastia Han.
- Alterações na adaptação: Para tornar a narrativa televisiva mais dinâmica, o roteiro do anime introduziu os personagens Yuka Sugimoto e Ikuya Asano logo no início da jornada, enquanto nos livros originais a protagonista atravessa o portal sozinha.
- O rato filósofo: Rakushun, o carismático meio-besta que assume a forma de um rato gigante, é amplamente considerado pela comunidade como um dos melhores personagens de suporte do meio, servindo como o compasso moral e intelectual da história.