10 Curiosidades de Neon Genesis Evangelion
Você assistiu Evangelion, ficou confuso, assistiu de novo e ainda ficou confuso. Mas apostar que você não sabia que Rei Ayanami tem o nome de um contratorpedeiro destruído na Batalha de Guadalcanal? Nem que o roteiro foi reescrito às pressas por causa de um atentado real com gás sarin? Estas são as curiosidades que fazem a série ficar ainda mais densa.

Trinta anos depois da estreia, Neon Genesis Evangelion ainda guarda segredos que a maioria dos fãs nunca parou para rastrear. Não os mistérios da trama, esses você já debateu até as 3 da manhã. São os bastidores, as escolhas de nomenclatura, os acidentes históricos que moldaram o que a série se tornou.
Algumas dessas curiosidades vão mudar como você relê certas cenas. Outras só confirmam que Hideaki Anno é um tipo de pessoa muito específico.
1. Os Personagens São Batizados com Nomes de Navios de Guerra
Essa é a que derruba todo mundo na primeira vez.
Aoba, Akagi, Ayanami, Fuyutsuki, Hyuga, Ibuki, Katsuragi, Kirishima, Makinami, Maya, Musashi, Soryu e Shikinami são todos nomes tirados de embarcações de guerra japonesas. Anno é um fanático por navios militares desde a infância, e usou a franquia inteira como homenagem discreta à marinha imperial.
Mas vai além dos nomes japoneses. Asuka Langley Soryu carrega o nome de dois porta-aviões: o USS Langley americano e o IJN Sōryū japonês, ambos afundados em 1942. Misato Katsuragi tem o nome de um porta-aviões japonês que sobreviveu à guerra. Ritsuko Akagi e sua mãe levam o nome do Akagi, afundado no mesmo dia que o Sōryū.
Rei Ayanami recebeu o nome do contratorpedeiro Ayanami, da classe Fubuki, afundado na Segunda Batalha de Guadalcanal em novembro de 1942. Um navio destruído, uma personagem que morre e é substituída por clones. A metáfora estava lá o tempo todo.
E o sobrenome Ikari, da família central da série, significa "âncora" em japonês. Tudo, até o nome do protagonista, está ancorado (desculpe) nessa obsessão naval.

2. Anno Estava em Depressão Profunda Durante Toda a Produção
Já abordamos um pouco do tema e como isso influenciou em toda a obra. Não é figura de linguagem. Hideaki Anno entrou em depressão grave após o fracasso de projetos anteriores, incluindo a sequência cancelada de Royal Space Force: The Wings of Honnêamise. Essa depressão durou quatro anos e se reflete com clareza na série.
O próprio Anno escreveu, em julho de 1995, durante a produção: "Tentei incluir tudo de mim em Neon Genesis Evangelion. Um homem quebrado que não pôde fazer nada por quatro anos. Um homem que fugiu, alguém que simplesmente não estava morto."
Cada personagem de Evangelion foi construído a partir de fragmentos da personalidade de Anno. Shinji, por exemplo, foi concebido como um espelho de si mesmo: "tanto a parte consciente quanto a inconsciente". O que parece análise de personagem é, na prática, terapia transposta para animação.

3. Um Atentado Terrorista Real Obrigou a Reescrever o Roteiro
Em março de 1995, membros da seita Aum Shinrikyo jogaram gás sarin no metrô de Tóquio, matando 13 pessoas e ferindo milhares. Evangelion estava em produção naquele momento.
Boa parte do segundo roteiro original foi descartada e reescrita do zero porque continha uma trama central com forte semelhança ao ataque terrorista do metrô. Anno considerou o roteiro original "próximo demais da realidade" e inadequado para ser transmitido. Ele temia censura, mas também criticava a Aum Shinrikyo por terem "perdido qualquer contato com a realidade".
A série que chegou ao ar em outubro de 1995 é, portanto, uma versão de emergência de si mesma.
4. O Protagonista Deveria Ser Uma Garota
Na proposta inicial, Anno sugeriu que o protagonista da série fosse feminino. A ideia foi recusada pelo designer de personagens Yoshiyuki Sadamoto, que considerou que um protagonista masculino seria mais crível para o gênero mecha.
No primeiro roteiro, o episódio de estreia mostrava uma batalha entre um Anjo e Rei, enquanto Shinji só seria inserido depois que o Anjo tivesse sido temporariamente derrotado. A versão que existe é consideravelmente diferente disso.

5. Os Evas Foram Inspirados em Devilman
O mangá Devilman teve grande influência em Anno. O rosto aterrorizante, o corpo esguio, as costas curvadas e a placa torácica dos Evangelions são baseados no design de Devilman. Anno inclusive pretendia encerrar a série de forma semelhante ao fim de Devilman, e as duas obras compartilham o simbolismo religioso sombrio e personagens psicologicamente perturbados.
Se você já reparou que os Evas parecem orgânicos demais para ser máquinas, é porque são. A inspiração vinha de criaturas, não de veículos.

6. A Série Originalmente Teria 28 Anjos
O plano original previa 28 Anjos ao longo da série. Por restrições de produção e mudanças de roteiro, apenas 17 chegaram à versão final.
Onze Anjos que nunca existiram. Onze batalhas que o orçamento e o caos de produção apagaram antes de serem desenhadas.
7. Os Aniversários dos Personagens Foram Copiados dos Seiyuus
As idades dos personagens foram definidas antes da estreia, mas seus aniversários não foram estabelecidos durante a produção. Depois que a série terminou, a Gainax divulgou as datas de nascimento, que foram escolhidas de forma semelhante às dos respectivos dubladores japoneses. Rei Ayanami é uma das exceções notáveis a essa regra.
É o tipo de detalhe que parece planejado e não é. Parte considerável da mitologia de Evangelion funciona assim.
8. Os Episódios Finais Foram Feitos sem um Roteiro Completo
Os dois episódios finais foram filmados inteiramente a partir de uma perspectiva introspectiva. Anno precisou abandonar o roteiro do vigésimo quinto episódio e trabalhar com um novo. Os episódios contêm animação abstrata pesada, flashbacks, desenhos simples a lápis e fotografias com diálogos em voice-over.
Críticos especularam que essas escolhas de animação não convencionais resultaram de cortes de orçamento, mas Toshio Okada afirmou que não era apenas uma questão de prazo ou verba: Anno "não conseguia decidir o final até que o momento chegasse. Esse é o estilo dele".
A polêmica foi tanta que a Gainax lançou The End of Evangelion em 1997, um filme que fornece um desfecho mais narrativo para a mesma história.

9. Anno Recebeu Ameaças de Morte Após o Final da Série
O fandom japonês dos anos 90 não era o lugar mais gentil do planeta.
Depois que Evangelion se tornou um fenômeno social, Anno encontrou tópicos na internet escritos por pessoas debatendo "a melhor maneira de matar Anno". Isso o fez perder o entusiasmo pela criação de anime por um período.
Existe um argumento razoável de que The End of Evangelion foi feito parcialmente em resposta a esse ódio. A famosa sequência em live-action do filme mostra o público real no cinema, registrando a reação violenta dos próprios espectadores. Anno jogou o espelho de volta.
10. O Título em Japonês Tem um Significado Duplo
"Shin Seiki Evangelion" traduz literalmente como "O Evangelho do Novo Século". O termo "Evangelion" vem do grego antigo e significa "bom mensageiro" ou "boas notícias", criando um simbolismo com a chegada do Reino dos Céus. Anno afirmou gostar da palavra também por ser de pronúncia complicada.
Uma série que fala sobre o fim do mundo como mensagem de esperança. Anno escolheu o título certo.

[Bônus] Os Aniversários e Nomes Foram Inspirados em um Romance de Ryu Murakami
Alguns personagens têm seus nomes retirados do romance "Fascismo no Amor e na Fantasia" (1987), de Ryu Murakami. Os dois personagens principais desse livro se chamam Aida Kensuke e Suzuhara Toji, nomes que Anno transplantou diretamente para Evangelion. Anno depois dirigiu uma adaptação cinematográfica do mesmo romance de Murakami.
É a série mais referenciada da história do anime, e parte dessas referências estava escondida em um livro que a maioria dos fãs ocidentais nunca leu.
Evangelion tem trinta anos e ainda dá o que falar. Não porque seja confusa, mas porque cada camada que você descobre revela outra abaixo. Anno construiu uma obra que responde ao estado emocional de quem assiste, e talvez seja por isso que ela nunca envelhece da mesma forma para pessoas diferentes.
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