Devil May Cry fora dos controles: o guia completo dos animes, dos mangás e da ordem certa de consumir tudo
Duas séries animadas, quatro obras impressas e uma franquia de games que completa 25 anos. Este guia organiza tudo o que existe de Devil May Cry fora dos controles, do anime da Madhouse à trilogia da Netflix. Com fichas técnicas, ordem cronológica e o que está disponível em português.
VVina
A Capcom lançou o primeiro Devil May Cry em 2001. Nos 25 anos seguintes, a franquia se espalhou por animação japonesa, animação ocidental, mangá, light novel e quadrinho americano, quase sempre em obras que ninguém conseguia consumir na ordem. Este guia reúne o que existe, quando cada peça foi lançada e o que está acessível no Brasil hoje.
Devil May Cry tem duas séries animadas, dois projetos sem relação entre si
Existem duas adaptações animadas de Devil May Cry, e elas não conversam. A primeira saiu em 2007, foi produzida pela Madhouse no Japão e tem 12 episódios. A segunda estreou em 2025 na Netflix, foi animada pelo sul-coreano Studio Mir e já soma 16 episódios em duas temporadas.
Cada uma parte de um ponto diferente da linha do tempo dos games e chega a versões distintas do mesmo personagem. Nenhuma delas continua a outra. Assistir uma não exige ter visto a anterior.
Muitos sites não catalogam a produção de 2025 como anime, por ser uma animação de origem ocidental encomendada por um streaming americano. Parte do fandom segue o mesmo critério.
Devil May Cry (2007): a versão da Madhouse

Ficha técnica e encaixe cronológico
O anime estreou em 14 de junho de 2007 no canal japonês WOWOW e terminou em 6 de setembro do mesmo ano. A direção ficou com Shin Itagaki, e a composição de série com Toshiki Inoue. Bingo Morihashi, roteirista dos jogos 2, 3 e 4, também assinou episódios.
Hiroyuki Kobayashi, produtor de Devil May Cry 4 na Capcom, supervisionou o projeto e tratou a história como parte do cânone oficial. A trama se passa entre o primeiro e o segundo game. Dante já é um caçador estabelecido, mas a agência vive quebrada.
A estrutura de episódios
A série adota casos fechados por episódio. Um intermediário chamado J.D. Morrison traz os trabalhos, o caçador executa, e o dinheiro some antes do episódio seguinte. Esse desenho aproxima a obra de um procedural policial dos anos 2000, com demônios no lugar dos criminosos.
O fio contínuo aparece na figura de Patty Lowell, uma órfã ligada a uma herança disputada, e no demônio Sid, cujo plano cresce ao longo da temporada. A tensão principal só ganha corpo nos episódios finais. Quem chega esperando o ritmo dos games costuma estranhar a primeira metade.
Morrison e Patty foram criados para a animação. A garota depois entrou no cânone dos jogos: ela aparece por chamada telefônica em Devil May Cry 5, o que amarrou a série ao material principal quase doze anos depois.
Elenco, trilha e legado
Toshiyuki Morikawa dublou Dante em japonês pela primeira vez aqui. O papel ficou com ele nos games seguintes, incluindo DMC4 e DMC5. Na versão em inglês, Reuben Langdon foi o único intérprete dos jogos a repetir o personagem.
A trilha é assinada pelo coletivo rungran, com abertura instrumental d.m.c. composta por Takeshi Hama e encerramento melancólico chamado I'll be your home. A estética gótica e o traço sujo datam a série no melhor sentido: ela parece exatamente o que era em 2007.
Devil May Cry (2025): a trilogia da Netflix

Temporada 1
Os oito primeiros episódios chegaram ao catálogo em 3 de abril de 2025. Adi Shankar, showrunner de Castlevania na mesma plataforma, comanda o projeto ao lado de Alex Larsen. A animação ficou com o Studio Mir, responsável por A Lenda de Korra, em coprodução com o Studio La Cachette.
A história se passa no início dos anos 2000 e reconta a origem do caçador com roteiro próprio. O vilão Coelho Branco arquiteta a abertura de um portal entre o mundo humano e o inferno, enquanto uma força-tarefa do governo tenta conter o estrago. A soldado Mary entra em rota de colisão com o protagonista.
Johnny Yong Bosch dá voz ao Dante original em inglês. A temporada acumulou 21,7 milhões de visualizações em 2025 e garantiu renovação uma semana depois da estreia.
Temporada 2
O segundo bloco de oito episódios estreou em 12 de maio de 2026 sob o título See U in Hell. Shankar prometeu uma virada tonal e cumpriu: a estrutura episódica dá lugar a uma narrativa contínua, e Vergil assume o centro do conflito. Robbie Daymond interpreta o irmão gêmeo.
Os números seguiram fortes, com 6,4 milhões de visualizações nas duas primeiras semanas. A recepção crítica foi excepcional, incluindo 100% no Rotten Tomatoes. Entre os fãs de longa data, a resposta ficou mais dividida, sobretudo por causa das liberdades tomadas em relação aos games.
Temporada 3 e a Force Edge Saga
A Netflix renovou a série em 4 de junho de 2026 e anunciou a terceira temporada como capítulo final. Shankar explicou que o desenho sempre foi esse e revelou a chave de leitura: a primeira temporada é Inferno, a segunda é Purgatório, a terceira será Paraíso. As três formam o que ele chama de Force Edge Saga, projetada desde o início como uma trilogia de cinema disfarçada de série.
A referência não é gratuita. O nome do protagonista vem de Dante Alighieri, e a franquia dos games sempre flertou com A Divina Comédia. Não há data de estreia anunciada para o encerramento.
Trilha, dublagem e um tributo
A identidade sonora da produção é nu-metal puro. Rollin', do Limp Bizkit, abre a série, e os episódios trazem Rage Against the Machine, Papa Roach, Crazy Town e Evanescence. A escolha ancora a ambientação nos anos 2000 sem precisar explicar nada ao espectador.
Esta é a primeira obra de Devil May Cry com dublagem oficial em português brasileiro. Sérgio Cantú dirige a versão nacional, com João Cappelli como Dante, Fernanda Crispim como Mary e Ronaldo Júlio como o Coelho Branco. Alemão, francês, italiano e espanhol latino também estrearam aqui.
A série guarda ainda o último trabalho de Kevin Conroy, voz clássica do Batman, morto em 2022. A produção incluiu um tributo ao ator, e Shankar esclareceu publicamente que nenhuma inteligência artificial foi usada após a morte dele.
2007 x 2025: o que muda entre as duas
Devil May Cry (2007)
- Estúdio: Madhouse (Japão)
- Direção criativa: Shin Itagaki
- Episódios: 12, em temporada única
- Estreia: 14 de junho de 2007
- Estrutura: casos episódicos
- Posição na linha do tempo: entre DMC1 e DMC2
- Cânone dos games: sim, segundo a Capcom
- Dublagem PT-BR: não
- Status: finalizado
Devil May Cry (2025)
- Estúdio: Studio Mir e Studio La Cachette
- Direção criativa: Adi Shankar
- Episódios: 16, em duas temporadas
- Estreia: 3 de abril de 2025
- Estrutura: arco contínuo por temporada
- Posição na linha do tempo: roteiro original, início dos anos 2000
- Cânone dos games: não, universo próprio
- Dublagem PT-BR: sim
- Status: terceira temporada confirmada
Quem quer o clima gótico dos jogos clássicos e a rotina do caçador tende a preferir a produção da Madhouse. Quem busca ação estilizada, ritmo acelerado e uma releitura da origem encontra isso na versão da Netflix. Assistir na ordem de lançamento funciona, mas qualquer uma serve como porta de entrada.
Os mangás e as obras impressas

Devil May Cry 3, de Suguro Chayamachi
O mangá de Devil May Cry 3 é a obra impressa mais conhecida da franquia. Chayamachi publicou a história entre outubro de 2005 e agosto de 2006, e a Tokyopop lançou os dois volumes em inglês.
A trama se passa um ano antes do jogo e explica como o conflito entre os irmãos começou. Code 1: Dante segue o ponto de vista do protagonista, então um mercenário disposto a aceitar qualquer trabalho bem pago. Code 2: Vergil apresenta o Temen-ni-gru e a aliança com Arkham, além do momento em que os poderes demoníacos do irmão mais novo despertam.
Um terceiro volume foi anunciado, Code 3: Lady, e nunca saiu. A história impressa termina incompleta, o que a torna um complemento ao jogo, não um substituto.
Devil May Cry 5: Visions of V
A Capcom anunciou este título em 7 de março de 2019 como tie-in do quinto game. A serialização começou em 27 de abril daquele ano no site japonês LINE Manga, com arte de Tomio Ogata e publicação quinzenal.
O foco é o V, personagem jogável de DMC5 cuja origem o game deixa nas entrelinhas. O mangá detalha o nascimento dele, o contrato com os demônios e os eventos que antecedem a campanha. Alguns trechos mudam o cânone: no capítulo 1, os Nightmare Demons são criados antes de V, que surge sem as tatuagens e sem o cabelo tingido.
Os volumes encadernados saíram no Japão pela LINE Digital Frontier e pela Nippan IPS, em papel e digital, com arte refinada e falas alteradas. A obra nunca foi licenciada fora do Japão.
Deadly Fortune e Before the Nightmare
Duas adaptações em prosa completam o quadro. Devil May Cry 4: Deadly Fortune saiu em dois volumes e recontou a campanha do quarto jogo pela perspectiva de Nero. Devil May Cry 5: Before the Nightmare foi publicado pela Kadokawa em 2019 e cobre o intervalo entre o quarto e o quinto game.
Antes disso, a Capcom já havia produzido duas light novels escritas por Shinya Goikeda e ilustradas por Shirow Miwa. Elas saíram no Japão em 2002, acompanhando os dois primeiros jogos, e a Tokyopop as traduziu para o inglês em 2006. Cada volume funciona como prelúdio, com o epílogo emendando na cena de abertura do game correspondente. O catálogo do Animeloud lista essa linha como Devil May Cry.
A situação no Brasil
Nenhuma obra impressa de Devil May Cry foi licenciada em português até hoje. As edições da Tokyopop, esgotadas há mais de uma década, circulam no mercado de usados a preços de colecionador. Visions of V segue restrito ao Japão, inclusive na versão digital.
Os games, em três parágrafos
A franquia nasceu de um projeto que começou como Resident Evil 4 e virou outra coisa nas mãos de Hideki Kamiya. O primeiro jogo saiu em 2001 no PlayStation 2 e criou o gênero que hoje se chama character action, com sistema de pontuação por estilo e combos aéreos.
A linha principal chegou ao quinto título em 2019, sob direção de Hideaki Itsuno, que deixou a Capcom em 2024. Devil May Cry 5 ultrapassou 10 milhões de cópias vendidas em junho de 2025, impulsionado pela visibilidade da série da Netflix. Em 23 de junho de 2026, o game ganhou a Devil Hunter Edition para Nintendo Switch 2.
Existe ainda DmC: Devil May Cry, reboot de 2013 feito pela britânica Ninja Theory, mal recebido por parte do público na época. Um sexto título principal nunca foi confirmado pela Capcom, apesar dos rumores recorrentes. O presidente Haruhiro Tsujimoto citou a marca entre as franquias que a empresa quer expandir.
Ordem recomendada para quem quer seguir a cronologia
- 1. Devil May Cry 3 (mangá, 2 volumes): prequel ambientado um ano antes do terceiro game
- 2. Devil May Cry 3: Dante's Awakening (game): origem do conflito entre os irmãos
- 3. Devil May Cry (game, 2001): Ilha Mallet e o primeiro encontro com Trish
- 4. Devil May Cry (anime de 2007, 12 episódios): encaixa entre o primeiro e o segundo game
- 5. Devil May Cry 2 (game): o título mais criticado da série
- 6. Devil May Cry 4 e Deadly Fortune (game e novel): entrada do Nero na história
- 7. Before the Nightmare e Visions of V (novel e mangá): preparam o quinto game
- 8. Devil May Cry 5 (game): fecha a linha principal
A série da Netflix fica fora dessa contagem por não integrar o cânone dos games. Ela pode ser assistida a qualquer momento, sem pré-requisito nenhum.
Curiosidades da franquia

O nome do protagonista e a estrutura da história vêm de Dante Alighieri. A franquia inteira dialoga com A Divina Comédia, e Adi Shankar levou a referência ao extremo ao batizar as três temporadas como Inferno, Purgatório e Paraíso.
Pizza sem azeitonas e sundae de morango viraram marca registrada do personagem no anime da Madhouse. O gosto alimentar funciona como alívio cômico recorrente em meio ao tom sombrio da série.
O anime de 2007 foi a primeira vez que a franquia recebeu áudio em japonês. Até ali, os games saíam apenas com dublagem em inglês, o que soa estranho para uma propriedade da Capcom.
A série de 2025 é a última obra em que Kevin Conroy trabalhou antes de morrer. O ator ficou conhecido por dublar o Batman por mais de três décadas.
Sparda, pai dos gêmeos, é um cavaleiro demoníaco que traiu os próprios e selou o portal entre os mundos. Eva, a mãe humana, aparece nas duas adaptações animadas em versões bem diferentes.
O que vem pela frente
A terceira temporada fecha o arco da Netflix sem data marcada até o momento. Do lado dos games, a Capcom colocou a marca na lista de franquias que pretende expandir, e Devil May Cry 5 segue vendendo sete anos após o lançamento. A franquia completa 25 anos em 2026 sem um sexto título principal confirmado.
Enquanto isso, o anime da Madhouse segue como a única adaptação japonesa da história e continua encontrando público novo pelo streaming. Para quem terminou as duas séries e quer manter o clima, Hellsing Ultimate, Black Lagoon e Bayonetta: Bloody Fate ocupam a mesma prateleira de ação adulta e estilizada.
Perguntas Frequentes
- Qual a ordem certa para assistir Devil May Cry?
- Precisa ter jogado os games para entender as séries?
- Devil May Cry de 2025 é anime de verdade?
- Quantos episódios tem cada série?
- O anime de 2007 é canônico?
- Onde assistir as séries de Devil May Cry no Brasil?
- Existe mangá de Devil May Cry em português?
- A série da Netflix vai continuar depois da temporada 3?
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