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Review Kaiju No. 8: A Animação Supera Naruto? Uma Análise Sincera

Kafka Hibino tem 32 anos, um emprego limpando entranhas de monstros e um sonho que ele se recusou a enterrar. Essa combinação improvável transformou Kaiju No. 8 num dos animes mais comentados de 2024, e a pergunta que ficou no ar desde os primeiros episódios foi simples: a série entrega à altura do hype, ou é mais um shonen bem empacotado sem substância real por baixo? A resposta curta é que sim, entrega: com ressalvas honestas que valem a conversa.

Rafael Gonçalves
12:1310 min de leitura
Personagens de Kaiju No. 8

Desde o primeiro episódio, Kaiju No. 8 deixou claro que não seria apenas mais um anime de monstros gigantes. A obra combina ação intensa, personagens carismáticos e um forte apelo emocional, entregando uma experiência que prende a atenção do início ao fim. Nesta review, analiso os principais pontos que fazem de Kaiju No. 8 um dos animes mais interessantes dos últimos tempos.

⚠️ A partir desse ponto o texto pode conter spoilers. Siga por sua conta em risco!

A animação que o título promete: Production I.G vs. o fantasma de Naruto

O elefante na sala precisa ser nomeado logo. O designer de personagens da série é Tetsuya Nishio, o mesmo profissional que assinou os designs de Naruto e Boruto. Quando o anime estreou, parte do fandom reagiu com estranhamento: os traços ficaram visivelmente diferentes do mangá original de Naoya Matsumoto, mais simplificados, mais "Nishio" do que "Matsumoto".

Preciso ser honesto aqui, porque Naruto é um dos meus animes favoritos de todos os tempos. Mesmo assim, não tem como ignorar que certas cenas de luta da série envelheceram muito mal. A invasão de Pain em Konoha, que deveria ser um dos momentos mais grandiosos da franquia mas se tornou uma fábrica de memes, tem sequências com animação travada, quadros que perderam fluidez e momentos onde o impacto visual simplesmente não chegou. Isso não é homenagem tardia, é o que acontece quando uma série longa não consegue manter consistência técnica em todos os episódios cruciais.

Kaiju No. 8 não tem esse problema. As lutas são fluidas, dinâmicas e muito bem desenhadas do começo ao fim da temporada. Cada golpe tem peso, cada movimento dos kaijus transmite escala real. A Production I.G manteve um patamar técnico uniforme nos 12 episódios, sem os altos e baixos que séries mais longas inevitavelmente acumulam.

Há um motivo técnico por trás da escolha de Nishio. Traços mais flexíveis facilitam o trabalho dos animadores em sequências de ação intensa. O resultado prático aparece nas lutas: personagens que não perdem volume quando giram, expressões que funcionam em movimento, câmera dinâmica que acompanha a ação sem quebrar a lógica espacial das cenas.

Os kaiju valem o nome no título

Enquanto o design dos personagens gerou debate, as criaturas não precisam se defender. A Production I.G trouxe o Studio Khara (o estúdio por trás de Rebuild of Evangelion) para supervisionar o design e a arte dos kaiju. Mahiro Maeda, um dos nomes-chave da franquia Eva, ficou responsável pela concepção visual dos monstros.

O resultado é visível. Cada kaiju tem identidade própria, peso e escala coerentes com o universo. O mais importante: a maioria das criaturas foi animada em 2D tradicional. Num momento em que 3D CGI virou atalho padrão da indústria, ver kaijus desenhados à mão em escala real é um diferencial técnico que merece reconhecimento. A destruição que eles causam reforça a sensação de ameaça constante, o que dá às cenas de combate um peso que muitos animes do gênero perderam.

Kaiju no 8 Design dos Kaiju
Kaiju no 8 Design dos Kaiju

Kaiju no. 8 é uma história sobre um homem de 32 anos que não desistiu

A premissa central continua sendo o ponto mais original da série. Kafka não é um adolescente com potencial inexplorado. Ele tem 32 anos, um trabalho humilhante e décadas de fracasso nas costas. Quando uma criatura parasita se funde com seu corpo e o transforma no próprio tipo de monstro que sonhava combater, a ironia narrativa poderia ter virado comédia pura. Kaiju No. 8 resiste a esse caminho fácil.

Kafka Hibino transformado em Kaiju No. 8
Kafka Hibino transformado em Kaiju No. 8

O nome do protagonista não é acidente. Franz Kafka escreveu "A Metamorfose" sobre um homem que acorda transformado num inseto gigante e precisa conviver com essa nova realidade enquanto o mundo ao redor não sabe como reagir. Naoya Matsumoto usou essa referência conscientemente. A diferença é que o Kafka de Kaiju No. 8 não aceita passivamente a transformação: ele a usa como trampolim para o sonho que nunca largou.

Kafka e Mina: a promessa que move tudo

A relação entre Kafka Hibino e Mina Ashiro é o motor emocional da série. Mina virou capitã da Terceira Divisão da Força de Defesa enquanto Kafka limpava entranhas. Esse contraste não é só engraçado, é genuinamente melancólico: dois amigos de infância que fizeram a mesma promessa e acabaram em lugares completamente diferentes.

Mina representa o que Kafka poderia ter sido, forte, competente, respeitada. Mas a série tem o cuidado de não transformá-la num ideal distante. Ela tem suas próprias pressões, suas próprias limitações. O que os conecta não é uma relação romântica explícita, mas algo mais durável: o respeito construído sobre anos de distância e a promessa que nenhum dos dois esqueceu.

Essa dinâmica sustenta os momentos mais carregados da temporada. Quando Kafka luta, ele não está só provando algo para si mesmo, está correndo atrás de alguém.

Kaiju no 8 Kafka e Mina
Kaiju no 8 Kafka e Mina

Kikoru Shinomiya: minha personagem favorita, pelos motivos certos

Se há um personagem que ficou comigo depois das duas temporadas, é Kikoru Shinomiya. Mas preciso ser preciso sobre o porquê, porque a resposta fácil seria dizer que ela "supera o protagonista", e isso seria injusto com Kafka e com a série.

Kikoru não assume o protagonismo de Kaiju No. 8, nem deveria. Kafka é o coração da série. O que Kikoru faz é complementar esse coração com uma trajetória emocional que funciona de forma independente, sem precisar roubar cena. Ela entra como a prodígio arrogante clássica do shonen: filha do comandante-geral Isao Shinomiya, com talento natural e zero tolerância para quem não está no mesmo nível.

O que acontece depois é o que me conquistou. A riquinha arrogante vai se tornando a melhor amiga de Kafka de um jeito tão gradual e bem construído que, quando você percebe a transformação, ela já aconteceu. Não há um episódio de virada brusca, não há uma cena de choro que resolve tudo. A mudança se acumula em detalhes, num momento aqui, numa escolha lá, até que a Kikoru do último episódio seja reconhecivelmente a mesma pessoa do primeiro, só que aberta para o que antes ela descartava.

O arco dela não é sobre aprender que trabalho em equipe existe. É sobre uma jovem carregando o peso de um legado que não escolheu, tentando ser digna de um pai que admira e resiste ao mesmo tempo. Essa camada psicológica é o que me faz elegê-la como favorita pessoal, não porque é melhor escrita que Kafka, mas porque o conflito dela ressoou mais fundo comigo.

⚠️ Opinião polêmica: A trajetória de Kikoru da riquinha arrogante à melhor amiga do protagonista é uma das evoluções de personagem mais bem legais do shonen recente. A série não precisou forçar o processo, o que é mais raro do que parece.

Kaiju no 8 Kikoru Shinomiya
Kaiju no 8 Kikoru Shinomiya

Soshiro Hoshina: tirador de sarro, algoz e, no fim, o melhor do elenco

O vice-capitão da Terceira Divisão, Soshiro Hoshina, entra na série como aquele personagem que parece te zoar com um sorriso no rosto, e você não sabe bem se ele é aliado ou obstáculo. No meio da temporada, ele endurece de um jeito que beira a crueldade, colocando Kafka em situações onde a margem de erro é zero. No final, entrega tudo, e aí você entende que cada fase anterior fazia sentido dentro de um julgamento que ele estava conduzindo à sua maneira.

⚠️ Opinião polêmica: Hoshina é competente demais para ser verdade. Ele luta bem, lê as situações com precisão cirúrgica, controla a equipe sem esforço aparente e ainda arranja tempo para ser engraçado. O personagem flerta com o "faz tudo perfeitamente" de um jeito que poderia irritar, mas a forma como a série usa cada uma dessas qualidades no momento certo impede que ele vire uma fantasia. Ele é exagerado, sim. Só que o exagero é tão bem calibrado que funciona.

Soshiro Hoshina Kaiju no 8
Soshiro Hoshina Kaiju no 8

O elenco de suporte faz a diferença

Reno Ichikawa funciona como o espelho jovem de Kafka: ambicioso, determinado e, ao contrário de muitos sidekicks do gênero, com razões próprias para estar ali. A relação entre os dois ganha textura à medida que a temporada avança, especialmente quando Reno começa a crescer num ritmo que Kafka mal consegue acompanhar. Ver um jovem de 18 anos superando o protagonista em certas habilidades, sem que isso diminua nenhum dos dois, é exatamente o tipo de dinâmica que o shonen médio não se arrisca a fazer.

Iharu Furuhashi é o antídoto para qualquer risco de o elenco jovem virar um clube de gênios perfeitos. Ele era o melhor da turma antes de entrar na Força de Defesa, e aí encontrou Reno, que foi crescendo além dele sem se esforçar para isso. O complexo de inferioridade que Iharu desenvolve é genuíno, incômodo do jeito certo, e humaniza um personagem que poderia ter ficado apenas como o rival genérico de plantão. Quando ele coloca o orgulho de lado para salvar Reno num combate, você entende que a rivalidade deles nunca foi sobre ego, era sobre não saber lidar com deixar de ser o melhor.

Haruichi Izumo ocupa um espaço narrativo diferente. Herdeiro da Izumo Tech, a maior fabricante de equipamentos anti-kaiju do Japão, ele poderia ter entrado como a segunda Kikoru: riquinho arrogante com talento sobrando. A série resiste a esse caminho. Haruichi é observador, calculista e prefere assistir o caos se desenrolar antes de entrar nele. A rivalidade silenciosa que ele mantém com Aoi Kaguragi corre em paralelo à de Iharu com Reno, mas com outra temperatura: menos sangue quente, mais jogo longo. Dois personagens que espelham o mesmo conflito de formas completamente distintas, o que diz bastante sobre o cuidado com que o elenco foi construído.

Personagens secundários de Kaiju no8
Personagens secundários de Kaiju no8

Por que Kaiju No. 8 merece entrar na sua fila

Kaiju No. 8 vai muito além de batalhas contra monstros gigantes. É uma história sobre perseverança, amizade e a busca por um sonho sem prazo de validade. As duas temporadas me deixaram com aquela sensação específica de bom anime: a de que os episódios terminam cedo demais e a semana entre um e outro parece longa demais.

A animação é consistente onde importa, os personagens têm substância além da função narrativa, e a relação entre Kafka e Mina tem a dose certa de melancolia adulta para separar a série dos protagonistas adolescentes de sempre. Não é uma obra que redefine o shonen. É uma que executa muito bem uma fórmula conhecida com alguns elementos genuinamente seus, e faz isso sem perder ritmo visual nem emocional.

O que mais me convence: as lutas são fluidas e dinâmicas do começo ao fim. Os cenários mantêm profundidade e escala em cada confronto. Os personagens secundários têm arcos que funcionam por conta própria. E, acima de tudo, a série termina com você querendo mais, o que, no fundo, é o maior elogio que se pode fazer a qualquer anime.

Pontos que valem a atenção: o ritmo dos episódios iniciais é mais pausado, construindo mundo e personagens antes de pisar no acelerador. Para quem está acostumado com ação imediata, a paciência compensa lá na frente.

Dublagem brasileira e onde assistir

A primeira e a segunda temporada têm dublagem em português brasileiro disponíveis no Crunchyroll. Na primeira temporada, Leonardo Santhos dubla Kafka Hibino, com Heitor Assali como Reno Ichikawa e Luisa Viotti como Mina Ashiro. A produção da dublagem foi feita em paralelo à transmissão japonesa, com os episódios 11 e 12 da T1 chegando com um pequeno atraso em relação ao simulcast original.

Veredito final

Kaiju No. 8 é uma excelente recomendação para fãs de shonen que buscam algo além do convencional: uma obra com ação bem animada, personagens memoráveis e um toque de maturidade emocional. Se você procura um anime empolgante e bem construído, este título merece estar na sua lista.

Resumo da Análise

  • Animação: ⭐⭐⭐⭐⭐ (Cenários vivos, lutas fluidas, sem o visual "chapado").

  • Enredo: ⭐⭐⭐⭐ (A dinâmica Kafka/Mina é o ponto alto).

  • Personagens: ⭐⭐⭐⭐⭐ (Kikoru Shinomiya rouba a cena).

  • Nota geral: 8,5/10

Perguntas Frequentes

Kaiju No. 8 tem dublagem em português?
Sim. A primeira e a segunda temporada têm dublagem em português brasileiro, disponíveis no Crunchyroll. Na primeira temporada, Leonardo Santhos dubla o protagonista Kafka Hibino, Heitor Assali interpreta Reno Ichikawa e Luisa Viotti dá voz a Mina Ashiro. A produção da dublagem foi feita em paralelo à transmissão japonesa, com os episódios 11 e 12 da T1 chegando com pequeno atraso em relação ao simulcast original.
Quantos episódios tem Kaiju No. 8?
A primeira temporada tem 12 episódios, exibidos entre abril e junho de 2024. A segunda temporada estreou em julho de 2025, também via Crunchyroll. Além das temporadas principais, existe um OVA chamado "Hoshina's Day Off", focado no vice-capitão Soshiro Hoshina, que chegou aos cinemas japoneses antes da T2.
O mangá de Kaiju No. 8 já terminou?
Sim. O mangá de Naoya Matsumoto, publicado no Shonen Jump+ da Shueisha desde julho de 2020, encerrou com o capítulo 129 em julho de 2025, curiosamente no mesmo mês em que a segunda temporada do anime estreava. A obra foi compilada em 16 volumes. Uma continuação do anime para cobrir o arco final foi anunciada, sem data confirmada.
Quem faz a animação de Kaiju No. 8?
A animação é produzida pelo estúdio Production I.G, com o Studio Khara responsável pela supervisão dos designs e da arte dos kaiju. O Studio Khara é o mesmo estúdio por trás das produções recentes de Evangelion, o que explica a qualidade e a escala visual das criaturas. A série combina animação 2D tradicional com elementos de 3D CGI nas cenas de combate em larga escala.
Por que o design dos personagens de Kaiju No. 8 parece diferente do mangá?
O designer responsável pelos personagens do anime é Tetsuya Nishio, conhecido pelo trabalho em Naruto e Boruto. Os traços de Nishio são deliberadamente mais simplificados que os originais de Naoya Matsumoto, decisão tomada pela produção para facilitar a animação fluida nas cenas de ação. Parte do fandom reagiu com estranhamento na estreia, mas a flexibilidade dos designs contribuiu diretamente para a consistência técnica das sequências de combate.
Kaiju No. 8 é parecido com Attack on Titan?
Existem semelhanças estruturais: uma organização militar de elite, um protagonista com poderes que o colocam como ameaça potencial e um mundo onde a humanidade está constantemente na defensiva contra criaturas imensas. O tom, no entanto, é distinto. Kaiju No. 8 tem humor genuíno e não carrega o pessimismo de AoT. A maturidade emocional vem de outro lugar, da idade do protagonista e da promessa não cumprida com Mina, não de um apocalipse existencial.
Qual é a música de abertura de Kaiju No. 8?
A abertura da primeira temporada é "Abyss", interpretada pelo artista britânico YUNGBLUD. O encerramento é "Nobody", da banda americana OneRepublic. A segunda temporada traz "You Can't Run From Yourself", da cantora norueguesa AURORA, como abertura, mantendo a escolha de artistas ocidentais cantando em inglês, padrão incomum para animes shonen.
Kafka Hibino realmente se transforma num kaiju?
Sim. No início da série, Kafka ingere acidentalmente uma criatura parasita que lhe concede a capacidade de se transformar num kaiju humanoide. Essa forma fica catalogada pela Força de Defesa como "Kaiju No. 8", daí o nome da série. A tensão central da narrativa gira em torno de Kafka tentando usar esse poder para ajudar a mesma Força de Defesa que deveria combatê-lo.
Vale a pena ler o mangá de Kaiju No. 8 antes de assistir?
Não é necessário, mas fãs do mangá notarão que o anime é fiel ao material original, com algumas cenas adicionadas pela produção. Quem preferir entrar pelo anime e migrar para o mangá depois encontra uma obra completa esperando: 129 capítulos, 16 volumes, com o desfecho já publicado. O mangá terminou em 2025, então todos os arcos estão disponíveis para quem quiser saber o que vem antes do anime chegar lá.
Kaiju No. 8 tem quantas temporadas?
Duas temporadas foram produzidas e exibidas: a primeira em 2024 e a segunda em 2025, ambas pela Production I.G via Crunchyroll. Uma continuação para adaptar o arco final do mangá foi anunciada, mas sem data confirmada até o momento.

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