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Análises

Tomb Raider King vale a pena? Análise da estreia

O novo aeni da Crunchyroll chega cercado de comparações com Solo Leveling, e boa parte delas cola. Assistimos ao episódio 1 e explicamos o que separa Tomb Raider King da cópia fácil.

Imagem com personagens de Tomb Raider King

Você maratonou a segunda temporada de Solo Leveling e caiu naquele vácuo pós-hype, sem saber o que colocar na fila da quarta à noite. A Crunchyroll notou o buraco. Tomb Raider King estreou na última quarta-feira, 8 de julho de 2026, como o novo aeni de dungeon e relíquias, com cheiro de resposta direta a essa fome.

O primeiro episódio não esconde de onde vem. Ainda assim, quem senta esperando um clone chapado sai da sessão com uma pulga atrás da orelha: tem coisa própria ali, mesmo por baixo da fórmula familiar. Vamos separar o que é herança de gênero do que é identidade.

A premissa de Tomb Raider King: um ladrão de túmulos ganha um "new game+"

Em 2025, tumbas surgem pelo mundo. Cada uma guarda uma relíquia antiga que concede poderes sobre-humanos, e quem chega primeiro monopoliza força e dinheiro. Nesse tabuleiro entra Jooheon Suh (grafado também como Seo Joo-heon), um raider que se infiltra nas tumbas para surrupiar relíquias a serviço dos poderosos.

O empregador o trai e o deixa para morrer numa missão suicida. Em vez do fim, Jooheon acorda quinze anos no passado, com o corpo destreinado, mas a memória intacta de tudo que ainda vai acontecer. Ele sabe onde estão as relíquias, quem vira inimigo e como a própria história termina.

Esse detalhe muda o jogo. A graça não está em torcer por um fracote que evolui devagar, e sim em ver um sujeito que já entra três passos à frente de todo mundo. É regressão coreana no formato mais viciante: informação como superpoder.

Frame do episódio 1 destacando uma tumba / pirâmede ao fundo.

Por que todo mundo vai gritar "Solo Leveling"

As comparações são justas, e negá-las seria desonesto. O design do protagonista conversa com o visual de Sung Jinwoo. As tumbas ocupam o papel narrativo que os portais têm em Solo Leveling, como fonte de perigo e recompensa. As relíquias funcionam como os cristais de mana extraídos dos portais: você entra, sobrevive, sai mais forte.

O que costuma escapar dessa conversa é a cronologia. O webtoon de Tomb Raider King começou a rodar em 2019, antes do anime de Solo Leveling transformar o gênero em fenômeno global. A semelhança, então, tem menos de plágio e mais de dois filhos da mesma linhagem, ao lado de Tower of God e Omniscient Reader.

A identidade também diverge no essencial. Sung Jinwoo é fantasia de poder quase pura, enquanto Jooheon vende algo diferente: um estrategista trapaceiro que vence manipulando inimigos, não só socando mais forte. O apelo aqui é de golpista, não de titã. Guarde essa distinção, porque é ela que decide se a série sobrevive à sombra do primo mais famoso.

Produção coreana, aeni e o velho fantasma do 3D

Convém lembrar o que "aeni" significa: animação feita na Coreia do Sul, não no Japão. Tomb Raider King sai da Studio EEK, uma casa jovem, com produção da KADOKAWA e um piloto engavetado desde 2021. É a primeira grande vitrine do estúdio.

Produções sul-coreanas carregam uma fama espinhosa nesse ponto. Muitas abusam de CG que destoa do traço 2D, um contraste que salta aos olhos e quebra a imersão. Compare com o cuidado manual de estúdios japoneses como a Bug Films em Witch Hat Atelier, onde cada quadro parece desenhado à unha.

Tomb Raider King fica no meio-termo, e isso não é demérito. O traço 2D lembra um webtoon em movimento, com linhas marcadas e cores vivas que preservam a cara da obra original. O tropeço mora na luta contra o monstro do episódio 1, cuja modelagem em CG parece datada e destoa do resto. Nada que arruíne a cena, mas o dente da serra aparece.

No que o episódio 1 de Tomb Raider King acerta

A ação segura a peça. As lutas têm coreografia legível, peso e ritmo, sem cair no pecado clássico do quadro congelado que ficou famoso na briga entre Naruto e Pain. Movimento de verdade, não slideshow.

Ajuda muito Jooheon já ser competente desde o primeiro minuto. Ele encara capangas em grupo e resolve, mesmo no corpo destreinado do passado, o que corta o tédio da curva de poder lenta. A montagem também não perde tempo apresentando o mundo, e aposta na malícia do protagonista para prender.

Sobra um clichê ou outro, como o holograma estilo videogame anunciando missões. Detalhe pequeno diante do saldo: o episódio cumpre a função de deixar o espectador com vontade de apertar "próximo".

Curiosidades pra você brilhar na roda

O webtoon é mais velho que o hype de Solo Leveling

A adaptação em quadrinhos estreou em 2019, com a web novel original de 2016. A comparação com o rival, portanto, ignora que Tomb Raider King já existia antes do boom.

A Studio EEK apostou num piloto secreto

O estúdio produziu um episódio-piloto em 2021 que nunca chegou ao público. O projeto entrou num programa de fomento à animação coreana antes de virar a série que estreou agora.

O diretor veio de um clássico

Woo Seung Uk, à frente da direção e do roteiro, já dirigiu episódios de Hunter x Hunter. Experiência em ação de peso, portanto, não falta na cadeira principal.

A história-fonte já acabou

O manhwa fechou com mais de 400 capítulos, história completa. A primeira temporada, de 12 episódios semanais, cobre só os arcos iniciais, então há material de sobra para eventuais continuações.

Vale a pena assistir Tomb Raider King?

Sim, com expectativa calibrada. Tomb Raider King é uma estreia sólida e promissora, que faz o básico bem feito e ainda acena com um protagonista mais interessante que a média do gênero.

Vale o play se você sente falta de dungeon coreana, curte regressão com informação como arma e gosta de herói que pensa antes de bater. Talvez não valha se você exige originalidade radical de premissa ou perde a paciência com CG irregular. Para o resto, o convite é honesto: dê três semanas à série antes de julgar.

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