O contraste absurdo que beira a genialidade
Ler o mangá de Rooster Fighter é uma experiência quase esquizofrênica. De um lado, você tem uma premissa estúpida: um galo buscando vingança contra o "Demônio Branco" que matou sua irmã. Do outro lado, você tem Shu Sakuratani entregando uma arte tão absurdamente detalhada, com hachuras e sombras tão dramáticas, que parece que você está lendo o mangá mais denso e sombrio da década.
Uma aula de estética desperdiçada (no bom sentido) com um frango
A parte estética sempre conta muito na hora de avaliar um mangá, e Sakuratani não poupa nanquim. Os cenários de destruição urbana, a anatomia grotesca dos demônios e as expressões de pavor dos NPCs humanos são desenhados com um nível técnico impressionante. É hilário pensar que um artista tão talentoso olhou para a prancheta e pensou: "Sabe o que ficaria incrível nesse cenário pós-apocalíptico digno de Gantz? Um galo agindo como um mafioso yakuza dos anos 80." E pior: ele estava absolutamente certo.
A anatomia da vingança
Esqueça katanas lendárias ou magias milenares. O arsenal do Keiji se resume a bicadas supersônicas, voadoras com esporões e um cacarejo destrutivo que rasga o ar. O roteiro não tem medo de ser piegas quando precisa, entregando dramas reais para personagens secundários que duram exatos dois capítulos antes de serem esmagados, só para o Keiji poder virar as costas para a explosão e seguir sua jornada solitária.
Nossa recomendação?
Se você aprecia uma arte pesada e refinada, mas tem o senso de humor quebrado o suficiente para rir de um galo pagando de badass solitário enquanto chora por amores aviários não correspondidos, essa leitura é obrigatória. Colecione pelo traço impecável, fique pelas risadas sinceras.